A árvore do mestre

Sexta passada conheci onde a Integral Bambu começou. Marcelo, o nosso mestre e criador deste esporte milenar, convidou um grupo de alunos para conhecer a árvore da sua infãncia, uma mangueira.
Poucos compareceram ao encontro, certamente porque a manhã estava fria e chuvosa. Eu mesma achava que ia dar com os burros n'água, mas não dei, e fui felicitada pelo mestre, a quem a chuva nunca intimidou. Vieram os que deveriam vir, concluiu ele com clarividência. Éramos eu e mais três rapazes, que eu já conhecia dos treinos livres, aos sábados.
Ao lado da árvore há um recinto todo forrado de tatame e foi lá que começamos um trabalho orientado para a desintoxicação dos músculos com movimentos vibratórios. Marcelo explicou que uma das formas de desfazer uma contração muscular é adicionar novas informações à fibra nervosa de modo a embaralhar o estímulo de dor. Para isso os exercícios de vibração acompanhados de massagem percussiva são bem eficientes e divertidos.
Esse primeiro momento, relaxante e tonificante, no espaço protegido da sala com tatame, deixou em mim uma sensação de grande leveza e luminosidade. Eu estava serena e grata de estar ali e a luz cinza da manhã revelou-se uma notícia alegre da água renovadora de tudo. Aliás, mover-se como água é um dos ensinamentos de segurança quando se explora uma árvore: transferir o peso do corpo de maneira fluida, sentindo se o galho vai aguentar...
Depois fomos convidados a subir na mangueira conservando a intenção de cura, porém eu estava me sentindo super-jane e fui com muita sede ao pote: em vez de subir pelo caminho mais fácil tentei um tronco grosso acima da minha cabeça. Todo o meu corpo pedia aquele caminho, lancei-me, não consegui. Lutei contra a gravidade com toda a minha força mas escorreguei na casca limosa da árvore e ganhei uma raladura grande no braço, que vergonha. Ainda disfarcei com uma história de batismo de sangue mas a verdade é que fui uma precipitada. Quando a gente se sente muito bem fisicamente o cuidado é não se deixar levar por uma euforia irresponsável, outra lição, mas bem que podia ter dado certo...
Lembrei das árvores da minha infância: o flamboyant da calçada onde levei um tombo grande pulando do muro para um galho, o ficus no jardim onde subia rápido quando minha mãe queria me bater e onde espionava o namoro das empregadas , a goiabeira do quintal onde durante anos arrisquei minha vida tentando chegar ao telhado da casa, até que um dia consegui, com o coração na mão.

6 Comments:
Eu amava subir em árvores quando criança, sinto uma saudades, sabia?!
O braço pode ter ficado ralado, mas, com certeza, valeu a pena.........
beijos e bom domingo,
MM
ps: te achei na página de amigos comuns, se quiser conhecer meu canteiro, será um prazer :O)
subir em arvores...
nossa!!! Lembra a minha infência...
amei o texto..
bjosss
Seguro que vine acá por cuenta del comentario que dejaste en mi querido blog, EscúchamePorra...
Y creo que, asi como hay otras formas de se hacer fuego, también hay otras formas de se ver estrellas... (Otras que no duelen tanto, seguro...)
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Mas, deixando todo esse portunhol do caramba de lado...
Vim te agradecer pela visita ao meu blog! E também queria dizer que gostei do teu blog! Sinto inveja das pessoas que conseguem narrar passagens de suas vidas assim, como vejo que você faz... =)
Espero que volte a passar lá mais vzs! Será sempre bem-vinda!
Hei de voltar outras vzs aqui!
Bjo! =*
O Marcelo criou um esporte milenar? Vem cá, o Marcelo tem quantos anos? O Marcelo é um fantasma de bambu?
Na verdade eu estou tirando uma onda com o Marcelo, o certo é dizer que ele é o sistematizador no Brasil de uma prática milenar.
Olha o coco de bambu, bambu, olha o coco de bambulelê!!! ;)
Soh tu, atrética!
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