Monday, June 04, 2007

Animal, vegetal, mineral.


Na próxima encarnação quero ser uma pedra. Cheguei à conclusão que ser pedra é uma das formas mais evoluídas da existência, mais ainda do que ser planta.
Para mim ser vegetariana não é melhor que ser carnívora. Tenho muita pena das plantas, que não podem sair correndo e nem gritar, quando são comidas vivas. Eu me sinto uma vilã quando abro a geladeira e encontro batatas, cenouras e beterrabas germinando no escuro da gaveta de legumes. Os dentes de alho e o gengibre também brotam e eu tenho que dizer não à planta que quer nascer, mando todo mundo para a panela, alimentar minha imperfeição. Sou má como o deus que me criou.
Antes pensava que bom seria viver só de luz , água e minerais, ser uma oliveira de oitocentos anos... Porém ser uma pedrinha de bilhões de anos é melhor ainda. Uma pedra de superfície, solta ao sol, modelada pela água, cristalina. Nada de pedra nos rins, isola !
Quem já foi num terreiro sabe que os orixás moram nas pedras. Um iniciado sabe reconhecer a pedra habitada pelo axé do seu orixá. A pedra chama o teu olho, destaca-se, e você sabe.
As vezes quando caminho no mato ou na praia recolho uma pedra, dessas que me chamam. Levo ela comigo por um tempo, conversando com o calor da mão, depois a deixo ao lado de uma outra e sinto-me útil por ter feito duas pedras se encontrarem.

6 Comments:

Blogger Guto Melo said...

São as águas ou as pedras que vão rolar? A primeira besteira foi besteira demais. Mas se as duas pedras estão felizes, tá valendo!

4/6/07 14:22  
Blogger "wetabax", num momento de sono... said...

o mês de abril é o melhor.

4/6/07 14:25  
Blogger Muadiê Maria said...

Queria ser só
o que de vento se veste:
poeira, grão, semente, algodão

queria ser só o que flutua:
pena, flauta, balão.

No dia ser borboleta
na noite ser mariposa
só delicadeza eu seria:
vaga-lume, orvalho, seixo, lágrima, canção.

Mas também sou tudo
que padece:
pedra, amargura, solidão

mas também sou tudo
que afunda:
pedra, cadáver, escuridão.
Martha Galrão

5/6/07 07:36  
Anonymous Anonymous said...

Você é convidada para uma breve apresentação do poeta Alberto da Cunha Melo, em http://urarianoms.blog.uol.com.br/
Abraço

8/6/07 02:25  
Blogger Lili said...

Pedras raras, escreveu! Em especial qd fala de juntar duas pedras!

14/1/08 11:32  
Anonymous Anonymous said...

eu queria ser uma pedra portuguesa do calçadão do Leblon, viver ali para todo o sempre!

15/5/09 12:02  

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