Um urubu pousou na minha sorte

O nome dele era Hildo, de apelido urubu louro porque era moreno e a mãe dele pintava uma mecha loura no seu cabelo.
Ele fazia a minha vida um inferno durante a alfabetização; saía da carteira dele para puxar o meu cabelo e me chamava de tigre da esso.
Eu com cinco anos de idade já me destacava como boa desenhista. Um dia estou voltando do recreio, entro na sala e vejo o Hildo desenhando uma flor.
Era uma flor desproporcional, o talo parecia um tronco de árvore e as pétalas eram nanicas. Ele percebeu o meu olhar e perguntou o que eu achava da flor dele.
Eu, naquele tempo, não guardava rancor no coração e achei que devia incentivá-lo, disse que a flor estava muito linda.
A partir daí o Hildo mudou comigo, apaixonou-se ,ou quem sabe já era apaixonado e eu não percebia. Queria conversar comigo o tempo todo e era daquele tipo que cospe em você enquanto fala. Eu, educadamente, esperava ele sair de perto para enxugar minha cara.
Concluí que preferia quando ele me chamava de gata podre.

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